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Programa do Concerto
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Pode aceder ao programa do Concerto em baixo.
Horário do Museu
De quarta a segunda feira entre as 10h00 e as 13h00 e das 14h00 às 17h00
“Glosas ibéricas e outros pontos”
Concerto de Música Renascentista
Joana Bagulho
Cravo
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Beatriz Lerer Castelo
Flauta de bisel
Pedro Castro
Baixão
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Programa de Concerto​​
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A demi mort par maladie - Clemens non Papa/ Venegas de Henestrosa
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Cancion del Emperador /Mille regretz – Josquin des Prez/glosado de Luys de Narvaez
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Dulce memoire – Pierre Sandrin/glosados de Diego Ortiz Recercata seconda sopra
doulce memoire/recertata quarta sopra doulce memoire che e una quinta voce sopra la medessima canzoni
Susane un jour – Orlando di Lassus – Glosado de Beatriz Lerer Castelo
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Ayme qui vouldra – Nicolas Gombert- P. de Machicourt?/ glosado de António Cabezón
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Ultimi mei suspiri – Philippe Verdelot / glosado de António Cabezón
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Canção - MM 242- António Carreira (?)
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Passeávase el rey moro - Versão para Vihuela de Luys de Narvàez Glosado de Francisco
Fernández Palero/Henestrosa
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Dezilde al cavallero
Diferencias sobre el canto llano del Caballero- António Cabezón Canção a cinco vozes -Nicolas Gombert
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Con que la lavaré la flor de mi cara - Versão glosada para Vihuela de Luys de Narvàez e
Diego Pisador Tento com cantus firmus a 5 sobre Con que la lavaré la flor de mi cara -MM 242 com
a quinta voz de fora
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Transcrição das peças de vihuela, transcrição das obras a 5 e 6 vozes e intabulação das peças vocais -
Joana Bagulho
Agradecimento especial a João Aleixo e às “meninas do Convento dos Cardaes”, ao director do museu e a
toda a sua equipa, que nos acolheu com tanto cuidado.
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Este programa centra-se nas intabulações de música vocal presentes em fontes quinhentistas de música instrumental ibérica. O termo “intabulação” refere-se à transcrição de peças vocais — originalmente impressas em livros de partes ou de coro — para um formato notacional que apresenta a composição polifónica alinhada verticalmente, utilizado por instrumentistas de tecla e de cordas pulsadas.
As fontes vocais impressas no século XVI evidenciam claramente a possibilidade de estas obras serem tanto cantadas como tocadas por instrumentos, como indicam os próprios títulos, por exemplo «convenables tant aux instruments comme à la voix». Esta música servia como modelo para a aprendizagem instrumental e composicional, sendo frequentemente utilizada como base para práticas de ornamentação e glosa. No concerto apresentam-se obras preservadas nas principais fontes de música instrumental ibérica do século XVI. Entre elas destacam-se O Libro de cifra nueva de Luis Venegas de Henestrosa (Alcalá de Henares,1557) e o livro Obras de música para tecla, arpa y vihuela de Antonio de Cabezón - músico de câmara e capela de Felipe II- publicado em Madrid em 1578 e editado pelo seu filho Hernando de Cabezón. No prefácio do Libro de cifra nueva, Henestrosa sugere que este repertório não se destina exclusivamente aos instrumentos de tecla, harpa ou vihuela, podendo também ser cantado com acompanhamento instrumental ou mesmo executado por ensembles instrumentais. O programa integra igualmente o Tratado de glosas sobre cláusulas y otros géneros de puntos en la música de violones de Diego Ortiz, impresso em Roma em 1553, um tratado de ornamentação que inclui diversos exemplos de ricercatas sobre a chanson de Pierre Sandrin Doulce mémoire. O manuscrito musical MM 242, conservado na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (c. 1550–1570) e copiado no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, reúne um vasto repertório de música vocal vernacular proveniente de fontes impressas da Flandres e de Itália, bem como obras de Antonio de Cabezón e de compositores portugueses como António Carreira.
Do repertório para vihuela, publicado em sete livros impressos em Espanha, apresentam-se neste concerto versões provenientes dos livros de Luis de Narváez — Los seys libros del Delphin de música de cifras para tañer vihuela (Valladolid, 1538) —, de Diego Pisador, Libro de música de vihuela (Salamanca, 1552), e de Miguel de Fuenllana, Libro de música de vihuela, intitulado Orphénica lyra (Sevilha, 1554). Nestas publicações, a inclusão de canções acompanhadas, bem como de obras vocais intabuladas com a parte vocal notada numa pauta mensural separada, sugere que os vihuelistas realizavam intabulações não apenas como peças a solo, mas também com uma ou mais vozes cantadas ou em conjunto com outros instrumentos.
Este concerto insere-se numa programação que resulta de uma parceria entre o Museu do Convento dos Cardaes e a Área da música antiga da Escola Superior de Música de Lisboa e ainda o CECH/ projecto Mundos e Fundos-Mundos metodológico e interpretativo dos Fundos Musicais da faculdade de letras da Universidade de Coimbra.
Letras das canções, chansons e madrigal
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A demy mort par maladie-chanson
À demi mort par maladie,
navré je suis, las pour mourir,
qu'en dites-vous ma douce amie,
ne me pouvez-vous secourir?
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Meio morto de enfermidade,
ferido estou, cansado de morte,
que dizeis vós, minha doce amiga,
não me podeis socorrer?
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Mille regretz--chanson
Mille regretz de vous abandonner
Et d'eslonger vostre fache amoureuse,
Jay si grand dueil et paine douloureuse,
Quon me verra brief mes jours definer
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Mil desgostos por vos abandonar
E por me afastar do vosso rosto amoroso.
É tão grande a dor e o sofrimento tão penoso,
Que breve se verá o fim dos meus dias.
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Doulce memoire--chanson
Doulce mémoire, en plaisir consommée;
O siècle heureux que cause tel savoir:
La fermetée de nous deux tant aimée
Qui à nos maux a su si bien pourvoir
Or maintenant a perdu son pouvoir
Rompant le but de ma seule espérance
Servant d’exemple à tous piteux à voir
Fini le bien, le mal soudain commence
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Doce memória, em prazer consumida,
Ó tempos felizes que causa tal saber!
Firme amizade, por nós dois tão sentida,
Que os nossos males soube solucionar;
Ora agora perdeu o seu poder,
Destroçando a minha única esperança;
Que sirva de exemplo a todos, por digno de piedade:
Findo o bem, logo o mal começa
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Susanne un jour--chanson
Susanne un jour d'amour solicitée
par deux viellardz, convoitans sa beauté,
fut en son coeur triste et desconfortée,
voyant l'effort fait à sa chasteté.
Elle leur dict, Si par desloyauté
de ce corps mien vous avez jouissance,
c'est fait de moy. Si je fay resistance,
vous me ferez mourir en deshonneur.
Mais j'aime mieux périr en innocence,
que d'offenser par peché le Seigneur.
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Susana, num dia de amor, solicitada
por dois velhos, cobiçando sua beleza,
ficou em seu coração triste e desconsolada,
vendo a afronta feita à sua castidade.
Ela lhes disse: "Se por perfídia
do meu corpo vós tiverdes gozo,
estou perdida. Se eu resistir,
far-me-eis morrer em desonra.
Mas antes prefiro perecer em inocência,
do que ofender, pecando, o Senhor."
Ultimi mei suspiri- madrigal
Ultimi miei sospiri
che mi lasciate fredd' e senza vita.
Contate i miei martiri a
chi morir mi vede et non m'aita,
et dite: o beltà infinita,
dal tuo fedel ne caccia empio martire.
Et se questo gli è grato,
gitene rat' in ciel a miglior stato,
ma se pietà gli porge il vostro dire,
tornat' a me, ch'io non vorrò morire.
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Meus últimos suspiros
que me deixais frio e sem vida.
Contai meus martírios
àquela que me vê morrer e não me ajuda,
e dizei: ó beleza infinita,
do vosso fiel afastai cruel martírio.
E se isto vos agrada,
ide para o céu para um estado melhor,
mas se a vossa fala lhe trouxer piedade,
voltai a mim, pois não quero morrer.
Ayme qui vouldra--chanson
le mieulx qu'il pourra,
ce n'est que soussi;
car jamais sans sy amours ne sera.
Qui plus amera,
plus se trouvera
subget a mercy,
aime qui vouldra
le mieulx qu'il pourra,
ce n'est que soussi.
Ou danger mourra,
ou tousiours sera
cela ou cecy;
la chose est ainsi,
d'amours ainsi va:
Aime qui vouldra
le mieulx qu'il pourra,
ce n'est que soussi;
car jamais sans sy
amours ne sera.
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Ame quem amar
o melhor dos casos,
não é senão cuidado;
que jamais amor se achará s
em tal fado.
Quem mais amar,
mais se verá sujeito
a tal mercê;
ame quem amar
o melhor que puder,
não é senão cuidado.
Ou o cuidado morrerá,
ou para sempre será
ou isto ou aquilo;
a cousa é assim,
assim é o amor:
ame quem amar
o melhor que puder,
não é senão cuidado;
que jamais amor se achará
sem tal fado.
Passeava se el rey moro-Romance
Passeava se el rey moro por la ciudad de Granada
cartas le fueron venidas como Alhama era ganada:
las cartas echo en el fuego, y al mensajero matara.
Echo mano a sus cabellos, y las sus baruas
messaua; apeose de vna mula, y en vn cauallo
caualga
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Passeava-se o Rei mouro pela cidade de Granada,
quando lhe chegaram cartas como Alhama era
tomada: As cartas lançou ao fogo, e ao mensageiro matou.
Lançou mão aos seus cabelos, e às suas barbas;
Apeou-se da mula, e num cavalo cavalgou.
Con que la lavaré-Vilancico
Con que la lavaré
la flor de la mi cara
con que la lavaré
que bivo mal penada
Lavanse las casadas con agua de limones
Lavome yo cuitada
con ansias y dolores
Con que la lavaré
que bivo mal penada
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Com que a lavarei
a flor do meu rosto?
com que a lavarei,
que vivo mui penada?
Lavam-se as casadas
com água de limões;
lavo-me eu, coitada,
com ânsias e dores.
Com que a lavarei,
que vivo mui penada?
Dezílde al cavallero- Canção
Dezílde al cavallero
que non se quexe,
que yo le doy mi fe
que non le dexe.
Dezilde al cavallero
cuerpo garrido
que non se quexe
en ascondido,
que yo le doy mi fe
que non le dexe.
​
Dizei-o ao cavaleiro
que não se queixe,
que eu lhe dou minha fé
que não o deixe.
Dizei-o ao cavaleiro,
corpo garboso,
que não se queixe
em escondido,
que eu lhe dou minha fé
que não o deixe.
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